"Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todas as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e tudo para mim." (São João da Cruz)
Morrer de amor é ta todo consumido do Amado, é um abandono da própria vida e velar eternamente o Amado. Na cruz Jesus, que viveu de amor, morre de amor. A alma também animada de tão doce certeza se joga e se entrega nos braços do Amado, dá tudo, razão, sentimento, olhar, sangue, suor. A alma fixa o olhar no céu e reflete todo esplendor da criação, busca na terra as bem-aventuranças, a plena amizade com o Amado, os valores se limitam no Amado. Ela se percebe uma equação incompleta, em busca da “incógnita” de sua vida, ela se percebe na certeza do Sumo-Bem. As palavras são poucas para definir o tão brado encontro, a alma e o seu Amado, ela é capaz de correr léguas do caminho espiritual, ela saltabarreiras, ela faz tudo, abandona tudo, para ter com o encontro com o Amado.
(Oratio 10 in Exaltatione sanctae crucis: PG97,1018-1019)
(Séc.VIII)
A glória e a exaltação de Cristo é a cruz
Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz,a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim,porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.
É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-o a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.
"Mas o que amo, quando vos amo? Não amo a beleza física, nem a glória temporal, nem o brilho da luz tão agradável a meus olhos, nem as doces melodias de vários tipos de canções, nem o suave perfume das flores, nem os aromas, nem as especiarias, nem o mel ou o maná, nem os membros tão disponíveis aos abraços da carne. Nada disso eu amo, quando amo o meu Deus. E contudo, amo uma luz, uma voz, perfume, um alimento e um abraço do interior, onde brilha em minha alma uma luz que nenhum espaço pode conter, onde soa uma voz que o tempo não enfraquece, onde se exala um perfume que o vento não dissipa, onde se saboreia um alimento (Eucaristia) que a voracidade não diminui, onde se sente um contato que sociedade não elimina. Isso é o que amo quando amo o meu Deus"
Oh amável coração, oh doce vítima de amor, quem me dera poder amar com o Teu amor as Tuas criaturas. Que Teu coração tão bondoso, paciente e misericórdioso me encerre em amor por ti. Tuas chagas são minhas delicias, quero ser por Teu sangue ser lavado e me perder, me ofertar. Oh Coração que tanto amo os homens, me faz ser um ardente amante Teu, me educa nos teus mistérios e me cerca da tua vontade.
Com esta prece, trago presente uma das mais belas devoções, ao Sagrado Coração de Jesus, cuja a festa é hoje celebrada. Trago dois grandes servos e devotos desse tão sublime Coração.
Santa Margarida Maria Alacoque:
Foi a serva escolhida por Jesus para ser a mensageira do Sagrado Coração, pertencia a ordem das monjas da Visitação em Paray-le-Monial. No último período de sua vida, nomeada mestra das noviças, ela teve a consolação de ver propagar-se a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e os próprios opositores de antes mudarem-se em fervorosos propagadores. Abrasada de amor em adoração ao Sacramento dos Sacramentos escutou :"Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos". Ela relata também a promessa de Jesus para a festa hoje celebrada
“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que Lhe seja prestado”. ( Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, pp. 70-71. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun)
Foi um sacerdote apaixonado pelo Coração de Jesus, para ele o Cristo da Cruz é a mais perfeita imagem da manifestação do amor do Coração, pois lá o próprio amor se fez vitima pelos homens e de seu coração brotou manancial de água e sangue que lava nossas vidas. Desejava ver o Coração de Jesus pulsar na sociedade injusta e nos corações dos pecadores, fazia de sua vida um ato de oblação, pronto a cumprir a vontade do seu Senhor; eis que vontade de Deus era a fundação de uma congregação religiosa hoje conhecida no mundo todo como Dehonianos ou Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Fundada a congregação Pe.Dehon desejava que em todas as ações de seus sacerdotes, fosse levado o amor do Senhor, um puro amor ao Coração do Senhor, o resumo de toda sua vida seria "amor e reparação". Suas Frases trazem toda essa devoção ímpar ao Coração que consola nossas feridas.
"Levar o Cristo ao coração do mundo! Trazer o mundo ao Coração de Cristo"
"Não se deve conceber o culto ao Coração de Jesus como um cristianismo fácil ou uma devoção qualquer; é uma profunda renovação de toda a vida cristã"
"Um coração para amar], um corpo para sofrer, uma vontade para ser sacrificada"
"É necessário que o reino do Coração de Jesus, começado pela via mística nas almas, desça e penetre na vida social, ecônima e política dos povos"
A instituição da Eucaristia é celebrada na quinta-feira Santa, mas devido ao espírito penitencial da Semana Santa foi reservado um outro dia para celebrar com jubilo de festa o esplendor da Eucaristia, esta festa é chamada de "Corpus Christi". Uma festa que foi pedida em visão para Santa Juliana e instituída pelo Papa Urbano IV.
Toda alimento consumido é transformado em nós, nosso organismo usa do que comemos; com a Eucaristia acontece o contrário, Cristo nos transforma nele. Comungar requer mudança, busca de santidade, mesmo perante nossa fraqueza Cristo vem ao nosso encontro por meio da Eucaristia. É preciso deixar claro que a Eucaristia não representa Jesus Cristo, a Eucaristia é o próprio Jesus, corpo, sangue, alma e divindade. "Jesus replicou: Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede." (Jo 6, 35)
Primeiro Deus ama através da criação; depois ama assumindo a natureza humana pela encarnação; seu amor extremo chega até no ponto de ele mesmo se fazer alimento. A Eucaristia é portatanto a via de amor, a fortaleza para as almas, prazer, coragem, sutento, por fim a Igreja encontra nela a certeza do céu.Cristo ressucita nasnossas fraquezas, quandocomugamos.Antes de se entregar no madeiro da cruz, Ele deu-se em comida para os seus "Conhecendo o Senhor quem iria entregá-lo na mão do homicida, quis aos dozes entrega-se primeiro, qual perfeito alimento de vida" (Hino das Laudes, Solenidade do corpo e sangue de Jesus. Liturgiadas horas). Oh se soubecemos o pleno valor da Eucaristia, por nada trocariamos este momento.
Eis que o Amado bate na porta do nosso coração e lá deseja ceiar conosco, em um altar construido no próprio coração, onde sonhos, desejos, vontades e misérias se dobram para adorar o Cordeioro imolado. Na comunhão o mistério de amor se torna em nós real, cristificando as pobres almas. Eis que o grande convite feito pela Senhor é repetido pela Igreja "Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo que será entregue por vós" .No jardim arido palpita a vida, germina santidade, o infinito vem ao nosso jardim por meio da Eucaristia.
"A Igreja vive da Eucaristia" já clamava o hoje beato João Paulo II. O sangue derramado do Sagrado coração permanentemente alimenta com o corpo. Oh doce milagre, oh Jesus Eucarístico, amor infinito, a nós só resta gratidão, insuperável aproximação no banquete da glória com o canto do coro dos anjos. Encontrar Jesus no altar é entender que Ele ainda acredita em nós, nosso olhar penetra o sacramento e ver além das espécies do pão e do vinho, ver o Senhor consolando nossa alma e humildemente clamamos "Meu Senhor e Meu Deus", meu tesouro mais caro, experiência com o céu, o Deus próximo consome de amor as almas comugantes.
A Eucaristia também requer um ato de fé, ter a certeza do encontro com uma pessoa, peçamos a graça de crer e saber que o Senhor se faz nosso. Ele introduz as almas em sua presença, eis o sacramento por execelência. Ele deseja em nós fazer morada, inflamados de amor busquemos um coração Eucarístico.
Maria e Eucaristia!
Na encarnação o ventre de Maria se fez capela, ondeo Filho consubstancial ao Paiser fez também consubstancial ao homem. A Virgem Maria ansiosamente esperava o seu Filho se fazer alimento, para numa segunda vez ter dentro de si o mesmo verbo gerado. Hoje Ela conduz todos ao encontro do banquete do Filho, a festa do Senhor e Ela mesmo anteciosamente prepara a mesa do altar do nosso coração, Ela que já foi capela do santíssimo hoje ensina como o homem deve dele também ser sacrário. A voz de Maria branda "Eis aqui a escrava do Senhor", quando comugamos nossa alma ficva presa em amor. Realmente o amor tem um sabor e Maria ensina a experimentar o sabor.
Os Santos é a Eucaristia!
Todos os santos foram apaixonados pela Eucaristia, trago presente alguns deles.
Pe. Dehon, SCJ :"A Eucaristia é o foco, a base, o centro de toda vida, de toda obra, de todo apostolado...O operário do Evangelho que não vive da Eucaristia não possui mais do que uma palavra sem vida e uma ação sem eficácia"
São João Crisóstomo, Doutor da Eucaristia :"Há tanta gente que diz agora "Eu desejo ver Sua figura, Sua aparência, Suas vestes, Suas sandálias". Mas basta olhar ! Veja-O! Vós o tocais! Vós vos alimentais dEle!E Vós ainda dizes que deseja ver a sua roupa...mas Ele não somente se deixa ver por vós; deixar-se também tocar, servir de alimento e ser recebido dentro de vós. Não nos aproximemos dEle indiferentes, pusilânimes, mas todos com os corações ardentes, ferventes, estimulados."
Santo Afonso de Ligório:"Jesus na Eucaristia é o médico e remédio".
São João Crisóstomo: “Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor”
São Francisco de Sales: “Duas espécies de pessoas devem comungar com frequência: os perfeitos para se conservarem perfeitos, e os imperfeitos para chegarem à perfeição”.
Santo Agostinho: “Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar.”
Santa Teresinha: “Não é para ficar numa âmbula de ouro, que Jesus desce cada dia do céu, mas para encontrar um outro céu, o da nossa alma, onde ele encontra as sua delícias”.
São Filipe Neri: “A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção à Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio para se conservar a pureza. Somente a comunhão é capaz de conservar um coração puro aos 20 anos. Não pode haver castidade sem a Eucaristia.”
Santa Catarina de Gênova: “O tempo passado diante do Sacrário é o tempo mais bem empregado da minha vida”.
São João Bosco: "Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o poucas vezes. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Quereis vencer ao demônio? Refugiai-vos sempre aos pés de Jesus. Quereis ser vencidos? Deixai de visitar Jesus…”
Salve Maria Imaculada! Thiago Farias †
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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2011
«Sepultados com Ele no baptismo,
foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)
Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).
1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.
O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 1011). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.
Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar «mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal» (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.
2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.
O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta «contra os dominadores deste mundo tenebroso» (Ef 6, 12), no qual o diabo é activo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.
O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, «em particular, a um alto monte» (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça deDeus: «Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O» (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.
O pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna» (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos «verdadeiros adoradores» capazes de rezar ao Pai «em espírito e verdade» (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, «enquanto não repousar em Deus», segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.
O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».
Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: «Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?» (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: «Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.
O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas baptismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos «da água e do Espírito Santo», e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.
3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a «palavra da Cruz» manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).
No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma...» (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.
Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permitenos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que «as suas palavras não passarão» (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele «que ninguém nos poderá tirar» (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.
Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas acções. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.
Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, reverendo e caríssimo pai [1] no Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo crucificado, vos escrevo no seu precioso sangue, desejosa de vos ver sedento da salvação das almas para a glória de Deus.
2. A sede das almas em Jesus
O primeiro mestre neste assunto é Jesus Cristo, que por sua sede da nossa salvação morreu na cruz. Nisto, o Cordeiro imaculado parece insaciável. Saturado de dores, clamou na cruz: "Tenho sede" (Jo. 19,28). Sem dúvida ele estava com sede corporalmente, mas bem maior era sua sede da salvação das almas. Ó inestimável caridade! Embora sofrendo muito, até parece que não sofres o suficiente; parece que não esgotas o desejo que tens de padecer. E de tudo, o impulso vem do amor! Já não me maravilho disso, pois teu amor era infinito, ao passo que a dor era finita. Eis por que o desejo de sofrer superava o martírio do corpo.
3. Instruções de Jesus a Catarina
Recordo-me que certa vez o bom Jesus instruiu uma sua serva sobre esse assunto. [2] Vendo ela os sofrimentos físicos de Jesus e seu desejo de padecer, perguntou: "Bom Jesus, qual foi o teu sofrimento maior: a dor corporal ou a dor do desejo?" Jesus lhe respondeu: "Milha filha, digo-te e não duvides: é impossível comparar o finito com o infinito. Meu sofrimento físico foi finito, mas o desejo de sofrer não tinha limites. Carreguei também a cruz do desejo santo. Lembras-te de que um dia te fiz ver meu nascimento? Enxergavas uma criancinha, nascida com uma cruz no peito! Afirmo-te: logo que fui semeado no ventre de Maria como semente encarnada, iniciou-se meu desejo de cumprir a vontade do Pai para o bem da humanidade. Isto é: eu desejava que a humanidade recuperasse a graça divina e atingisse a finalidade para a qual fora criada. O sofrimento desse desejo era maior que todo outro que padeci durante a vida. Meu espírito alegrou-se, pois, quando me vi conduzido à paixão, especialmente na hora da Ceia na quinta-feira santa. Na ocasião eu disse: com desejo desejei fazer esta Páscoa (Lc. 22, 15), quer dizer: desejei muito oferecer ao Pai meu corpo em sacrifício. Senti uma grande alegria e grande consolação quando vi chegar o momento de tomar a cruz esperada. Quanto mais eu sentia aproximarem-se o flagelo e os tormentos físicos, mais diminuía minha pena. A dor corporal expulsava a dor do desejo, pois eu via realizado o que esperava".
A serva lhe perguntou: "Senhor, tu dizes que na cruz cessou o sofrimento do teu desejo. De que modo? Então, agora já não me queres?". O Senhor lhe respondeu: "Não, minha doce filha! Quando morri na cruz, terminou com a vida a dor do desejo; mas não cessaram o meu desejo e a minha sede da vossa salvação. Se houvesse acabado o amor que tive e tenho pela humanidade, vós nem existiríeis mais. Foi meu amor que vos tirou do seio do Pai, quando vos criou na sua sabedoria; esse mesmo amor vos conserva em vida; vós nada mais sois que fruto do amor. Se o Pai retirasse seu amor, dado no poder e na sabedoria, voltaríeis ao nada. Eu, Filho unigênito do Pai, sou um aqueduto que vos traz a agua da graça. Eu manifesto o amor do Pai. De fato, o que o Pai possui, eu também possuo, pois sou um com o Pai e o Pai um comigo. Por meio de mim o Pai se revela. Por isso afirmei: o que recebi do Pai, eu vos comuniquei. A razão de tudo é o amor".
Bem vedes, reverendo pai! Jesus, que é amor, morre de sede e fome da nossa salvação. Por amor a Cristo crucificado, peço que mediteis sobre tal sede do Cordeiro. Minha alma gostaria de vos ver morrendo de desejo santo, ou seja, tudo fazendo com amor pela glória de Deus e a salvação das almas, pela exaltação da santa Igreja.
Gostaria de vos ver crescendo em tal sede e por causa dela morrendo, como fez Jesus. Que morressem a vontade pessoal e o amor sensível. Que morrêsseis às honras, satisfações sociais e todo tipo de grandeza humana. Tenho certeza de que, se olhardes para o vosso íntimo, compreendereis que nada sois; entendereis que tudo vos foi dado por Deus numa grande chama de amor; vosso coração não oporia resistência ao ímpeto da caridade, mas eliminaria, todo amor próprio, não procuraria o que é útil à própria pessoa. Vós amaríeis a Deus por ele mesmo e também amaríeis o próximo, não por interesses pessoais, mas a fim de promover sua salvação eterna e a glória divina. Deus ama demais a humanidade. Também os servos de Deus devem amá-la, imitando o Criador. É condição da amizade que eu ame tudo aquilo que meu amigo ama. E os servos querem bem a Deus, não por interesse pessoal, mas porque Deus, bondade infinita, merece ser amado.
4. O exemplo de Paulo apóstolo
De fato, pai, os servos de Deus como que se esquecem da própria vida. Não pensam em si mesmos. Desejam sofrimentos, dificuldades, torturas, injúrias. Desprezam as dificuldades do mundo. A maior cruz e a maior dor, para eles, é ver Deus ofendido e as almas que se condenam. Por isso, deixam no esquecimento as preocupações pessoais. Não evitam as dificuldades, até as procuram e alegram-se com elas. Pensam no apóstolo Paulo, que se gloriava nos sofrimentos por amor a Cristo crucificado (Rm. 5, 3). Pois bem, quero que vós os imiteis.
5. Triste situação na hierarquia
Ai de mim, ai de mim! Como é infeliz a minha alma! Olhai e vede a realidade que caiu sobre o mundo, especialmente sobre a hierarquia da Igreja. Ai de mim! Explodem nossos corações e nossas almas ao perceber tanta ofensa feita a Deus. Vede, pai, o lobo infernal leva consigo pessoas que vivem na hierarquia da santa Igreja, e ninguém procura libertá-las. Dormem os pastores, cuidando de si mesmos na ganância e na impureza. Dormem ébrios de orgulho, sem notar que o lobo infernal, o diabo, lhes retira a graça, bem como aos seus súditos. Dessas coisas, pouco se preocupam. Tudo lhes serve de ocasião para a maldade e o egoísmo. Como é prejudicial o egoísmo nos prelados e nos súditos! Nos prelados, porque não corrigem os defeitos dos súditos. De fato, quem vive no egoísmo ama a si mesmo e nada corrige nos outros. Mas quem ama a si mesmo em Deus, foge do amor interesseiro, denuncia corajosamente os defeitos nos súditos, nunca se cala ou finge não ver.
6. Maldito o pastor que se cala. Conclusão
De semelhante amor desejo vos ver livre, querido pai. Rogo-vos não vos comporteis assim, a fim de que, não se aplique a vós aquela dura palavra divina: "Maldito sejas, porque te calaste". Ai de mim! Calar, jamais! Gritai em cem mil línguas! Vejo que, por ter alguém calado, o mundo se arruinou e a santa Igreja encontra-se sem cor, sem sangue nas veias. Quero dizer: sem o sangue de Cristo, derramado por nós gratuitamente, sem mérito algum nosso. Devido ao orgulho, os pastores roubam a Deus a honra, atribuindo-a a si mesmos. Rouba-se por simonia com a venda de dons espirituais, a nós concedidos gratuitamente pelos méritos do sangue de Cristo. Ai de mim, morro e não consigo morrer! Não durmais por negligência. Aproveitai o tempo presente quanto possível. Outros tempos virão, acredito, em que podereis fazer outras coisas. Convido-vos ao tempo atual. Afastai da alma todo egoísmo, revesti-a com a sede de almas e com verdadeiras virtudes, para a glória divina e a salvação das almas. Fortalecei-vos no amor de Cristo. Logo veremos aparecer as flores. Esforçai-vos para que logo se erga o estandarte da Cruzada. [3] Que o vosso coração não se esfrie diante de nenhuma dificuldade emergente. Fortalecei-vos pensando que Jesus crucificado realizará os inflamados desejos dos seus servidores.
Nada mais digo. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Afogai-vos no sangue de Cristo, pregai-vos na cruz com ele, banhai-vos no seu sangue. Pai, perdoai minha presunção. Jesus doce, Jesus amor.
[1]: Pedro Cardeal d'Estaing, criado cardeal e nomeado legado pontifício pelo Papa Gregório XI (1370-1378), que residia em Avinhão, para governar o patrimônio de São Pedro na Itália.
[2]: A serva de que fala o texto e a própria Catarina, que conta ao prelado um diálogo com Jesus no tempo da sua juventude.
[3]: Em 1375 o papa Gregório XI (1370-1378) promulgou uma bula em favor de uma Cruzada para libertar os Lugares santos da Palestina. Catarina tornou-se grande estimuladora da idéia.
Santa Catarina de Sena. Cartas Completas. São Paulo: Paulus, 2005. Ps. 54-57.
Caros leitores trago presente uma bela reflexão do Cardeal Van Thuan. Esta reflexão, presente no livro “Testemunhas da Esperança”, fala sobre os “defeitos” de Jesus e é fruto de um retiro que o mesmo Cardeal pregou para o Papa João Paulo II e outros cardeais.
Van Thuan foi um bispo e cardeal vietnamita, foi perseguido e preso pelo regime comunista. Durante a prisão Van Thuan sofreu a noite escura da alma, como também sofrimentos psicológicos e morais. Ficava confinado em uma cela pequena, sem janela, respirando por um buraco no chão. Buscava o conversar com os carcereiros, que foram com o tempo seduzidos com o Jesus apresentado pelo Cardeal. A simpatia dos guardas por Van Thuan, ocasionou inumeras trocas dos carcereiros
Muito ainda se tem que se adimiriar na figura deste Cardeal, mas vamos a bela reflexão.
" Os "defeitos" de Jesus "
PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA:
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23,43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “...hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume... Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7,47)...A memória de Jesus não é igual à minha...
SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA:
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado... “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15,4-7).Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração...
TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA:
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa... procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma... (Lc 15,8-10)... de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma... O coração tem motivações que a razão desconhece... Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte...” (Lc 15,10).
QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO:
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados... Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias...Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20)...Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua... Vai que este aventureiro tem razão...? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira...! “A quem iremos?”... QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA:
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta? ... Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4,16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida... Em que medida? Infinita.Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.
Salve Maria Imaculada!
Fonte: Livro "Testemunha da Esperança" do autor François X. N. Van Thuan
Caro leitores, trago presente um texto do doutor místico da Igreja. Espero que diante de tão linda e profunda obra desse tão admirado Santo, possa perceber o adimirável valor da alma em união com o amor do Amado.
Por São João da Cruz
«Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, e com todas as tuas forças» Mc 12,28-34
“A força da alma reside nas suas potências, impulsos e faculdades. Se a vontade os volta para Deus e os mantém longe de tudo o que não é Deus, a alma reserva para Ele toda a sua força; ama com todas as suas forças, como o próprio Deus lhe manda. Buscar a si mesmo em Deus é buscar as doçuras e consolações de Deus, e isto é contrário ao puro amor de Deus.
É um grande mal ter em vista os bens de Deus e não a Deus mesmo, a oração e o desprendimento. Há muitos que procuram em Deus as suas próprias consolações e gostos, e desejam que Sua Majestade os encha dos seus favores e dons, mas o número dos que se esforçam por agradar-lhe e oferecer-lhe algo de si mesmos, rejeitando qualquer interesse próprio, é muito pequeno.
São poucos os homens espirituais, mesmo entre os que temos por muito avançados na virtude, que conseguem uma perfeita determinação de fazer o bem. Não chegam nunca a renunciar por completo a si mesmos em algum aspecto do espírito do mundo ou da natureza, nem a desprezar aquilo que se pensará ou dirá deles, quando se trata de cumprir, por amor a Jesus Cristo, as obras da perfeição e do desprendimento.
Aqueles que amam só a Deus não caminham nas trevas, por muito pobres e privados de luz que possam ver-se aos próprios olhos. A alma que, no meio das securas e abandonos, conserva sempre a sua atenção e solicitude em servir a Deus poderá sofrer, poderá temer não conseguir, mas, na realidade, oferecerá a Deus um sacrifício de agradável odor (Gn 8, 21)”.
Cruz, São João. Apostolado Sociedade Católica: ”Amar a Deus com todo o coração”. “Avisos e Máximas”. Disponível em http://www.sociedadecatolica.com.br.
Os antigos escreviam com penas; nos mosteiros, à luz dançante das chamas de uma quase extinta vela, escorriam para o papel as mais grandes e belas obras espirituais.
Não sob as mesmas condições, nem para tratar algo grande e belo- não enquanto obra, mas como experiência sensorial por mim vivida- escrevo com auxílio da luz natural em teclas de uma máquina, criada pelo homem e que, por vezes ou melhor, por muitíssimas vezes, é utilizado para o mal e para a perdição das almas.
Com o perdão de quem quer que seja o leitor destas minhas palavras, talvez alguns poucos, mas, é que, infelizmente ou não, meu vocabulário já está um tanto viciado com as práticas diárias de um estudante das ciências jurídicas, por isso, eis que não me expressarei tal como gostaria.
O início de qualquer relato escrito é extremamente difícil, principalmente porque não se sabe o que fazer, com qual palavra iniciar ou qual será o fim de tudo isso.
Atormentado por estas barreiras fastidiosas, próprias dos estudantes, peço ao nosso fiel Paráclito o direcionamento do corpo e da mente: Então a minha alma exultará no Senhor, e se alegrará pelo seu auxílio (Sl. 34, 9).
Certo de que isto se fará, inicio, de fato, o causo que me enseja à escrita.
A fé, como meio de nos proporcionar semelhança com Deus, ainda que não na essência, alcançou-me sobremaneiramente. Ora, Deus quer nos dar vida em abundância e, exatamente porque não pode desdizer-se em sua bondade e misericórdia infinitas, deu-me a graça de unir a ele por meio do amor à Ele e às coisas santas, celestiais, duradouras, magníficas.
Neste contexto, buscando obter- não no sentido egoístico do termo- os dons abundantes de Deus, recolho-me em zelo e me preencho de um vazio que em si não cabe de gozo pelo Senhor, uma união que diria ser sobrenatural, conforme ensina o Doutor Místico da amada Igreja, São João da Cruz: "Deus se comunica mais àquela alma que está mais adiantada no amor, isto é, àquela que tem sua vontade mais conforme à vontade de Deus. E a que a tem totalmente conforme e semelhante, está totalmente unida e transformada em Deus sobrenaturalmente.”Ocorre que isso somente ocorre por graça e vontade do Altíssimo, não por meus méritos (até porque nem sei se existe algum) e tampouco porque estou mais adiantado no amor.
De uma coisa tenho certeza:“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc. 1, 46). Porque o Senhor olhou para a miséria e a fraqueza deste pobre servo e teve compaixão, como lhe é característico.
É certo que, muitas almas que andam ou andaram por este pobre exílio foram adiantadas no amor, posto que amaram em plenitude o Pleno, fazendo do Senhor o Amado, como é o caso de Santo Agostinho, São Francisco, São João da Cruz, Santa Terezinha- a quem quero dar especial atenção, e muitíssimos outros que não tenho condições de citar, seja por desconhecimento, seja porque não há necessidade. Estes, em verdade, caminharam por esta terra “desfolhando amor pelo caminho” e, por isso, vivenciaram a transcendência dos sentidos.
É este desejo de união à Deus, por meio do puro amor, que me impulsiona a amá-lo, bem como à toda a sua criação.
Diante deste anelo, peço ao Pai de Misericórdia, que nos conceda a graça de união plena ao seu coração pulsante, pronto a nos dar amor: E para sempre amar.
Em oração sempre peço isto ao Senhor. Mesmo que à duras penas, mesmo que nesta terra haja choro e ranger de dentes, não permita que tal desgraça ocorra na eternidade. Meus pedidos não são movidos pelo medo do tormento eterno, que sinceramente o tenho, mas o que me motiva a perseverar na oração e no amor é, tão somente, a impossibilidade de viver sem aquele pelo qual suspira diariamente minha alma.
Ora, como pode a planta manter-se viva sem que haja o Sol? Claro que, por meio da atual tecnologia, este problema é facilmente superado, contudo, tudo será artificial, fácil e perecível, não podendo jamais se igualar àquele vegetal desenvolvido naturalmente, à luz do Sol.
Animado, pois, pelas dolorosas benesses que me são fornecidas na terra, aguardo às doçuras do Céu, das quais experimento sempre que é da vontade do Todo- Poderoso.
Estou certo de que Santa Terezinha tinha o mesmo desejo, uma vez que ao chamar-se rosa, aspira ardentemente desfolhar-se em amor ao Senhor infante que, trôpego em seus primeiros passos, tateava pelos caminhos. Eis uma versão do que dissera: “Ao ver-vos, meu Jesus, deixar a mãe os braços e com seu terno auxílio tatear vacilando uns maus seguros passos, em nosso pobre exílio. Quisera desfolhar amor pelo caminho, a mais purpúrea rosa. Da que se fez gentil, pousar-se de mansinho sobre uma flor mimosa.”
Daí a alegria da rosa, a própria Tereza, ao dar seu brilho àquele que possui todo o luzimento.
Degustando estas palavras da humilde carmelita, ingressei no caminho de entendimento do infinito amor do Fiel Amado para com as almas, bem como do desejo oculto da alma de repousar para sempre no seio da Suprema Caridade.
Parecia-me atingido por uma flecha ou qualquer outro objeto capaz de perfurar um coração. Felizmente a sabedoria humana é parcial, e jamais poderei explicar o que realmente se deu, somente posso dizer que era como se minha alma inteira, todo o meu corpo se alegra pelo Senhor e, de igual modo desejasse deleitar nele.
Cravou-se em meu peito um rosa.
Quisera naquele momento desmanchar-me, desfalecer, saltar em direção a Jesus Amado. Meus sentidos foram como que transportados, esquecidos e derramados aos pés do Jesus infante que fala Teresinha. A ternura do Senhor possuiu-me e nele eu descansei, ainda que pudesse ver e ouvir tudo ao meu redor. Meu corpo quase não em respondia, de maneira semelhante aos momentos em que recebo Jesus Eucarístico, quando minhas forças esmorecem e tremo. Tremores que, por vezes, me envergonham e, por isso, inutilmente tento ocultá-los. Tal tremura é deveras salutar, contudo, pois sinto-me revigorado e propenso não somente ao anúncio do Evangelho, mas também ao amor incomensurável e constante do Deus Oculta sob as espécies e, naquele momento, em meu interior.
Experimentando estes “fenômenos” até então, para mim, inexistente ou duvidável, percebo a inegável ação do querido Senhor em minha vida, daí passo a repetir as palavras do gigante mestre da fé e da doutrina Santo Agostinho:“Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! (…) Exalaste teu perfume, respirei-o, e suspiro por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tocaste-me, e o desejo de tua paz me inflama.”
Este grande santo nos revelava o contentamento da alma que exala o suave perfume do amabilíssimo Senhor, de modo que passo a perguntar-me: Como pude ficar tanto tempo sem saber das benesses concedidas amorosamente por Deus? Como pude deixar para tão tarde esta bela novidade antiga, que faz nova todas as coisas? A resposta para tais questionamentos não sei dizer, só sei que ainda vivo por graça do Fidelíssimo Amado.
Ao ser tocado pela beleza tão antiga e tão nova, fui queimado pelo seu vivo e caloroso coração, pelo qual percebi a graça do fogo que converte tudo em fogo. Entendi ou estou no passo para compreender, a vontade de Deus Pai, qual seja, fazer-nos deuses, por participação, posto que ele o é por essência, novamente tomo as palavras de São João da Cruz.
A benevolência de Deus nos faz assemelharmos a ele, não em essência uma vez que ele é o Inigualável, mas de estarmos tão íntimos aos seus desígnios que agimos conforme suas projeções: cessou o pranto, rasgou-se o véu do templo. Passam a existir o Todo Poderoso e a alma enamorada. Cúmplices, puros e inflamados de amor e zelo.
Talvez seja isso a comunhão dos santos. A cumplicidade da alma assemelhada a Deus, por ele próprio; por sua própria graça e vontade. Maria Santíssima, mãe de Deus e nossa, com a absoluta certeza viveu todas estas coisas, afinal só assim poderia dizer: “Fiat voluntas tua.”
Não sei se o Altíssimo me concederá a bênção de novamente despetalar-me em seu amor, de qualquer modo, já sou feliz porque ainda que este ser humano e pecador não merecesse, o próprio Cristo desejou que assim fosse. Por quê? Não sei. Se perguntei a Deus o motivo? Não e, provavelmente, nem hei de fazê-lo porque creio que ele, desta vez, não dirá, posto que tudo já foi dito. Encho-me de zelo pelo Senhor, Deus dos Exércitos (Zelo Zelatus Pro Sum Domino Deo Exercituum).
O recebimento da “rosa espiritual”, segundo narrei, está intimamente relacionado a minha função de evangelizador, meu dever de cristão, e o desejo do Sumo Bem que eu viva a santidade. Assim, meu coração tornou-se o solo em que está enraizada uma flor, logo, minha função é preservá-la em santidade, diligência e ardor da paz concedida do alto, sob pena de sufocá-la, retirando-lhe o brilho do qual Deus é merecedor.
Ocorre que, para que todas as coisas rumem ao caminho divino, eu, como semeador e agricultor devo me recordar, por meio da Cruz do Senhor, que somente ele deve ser a fonte de todo o bem e graça. Assim, devo viver emurchecido dos meus próprios prazeres, isto é, do meu querer humano. “Vaidade, tudo é vaidade”. Hei de morrer por vós, oh meu Jesus.
Escrevo estas coisas não para dizer-me santo, até porque seria uma mentira extremamente grande. Geralmente tenho uns devaneios e não costumo descrevê-los, mas não posso acorrentar a palavra de Deus- sejam as Sagradas Escrituras ou o que ele diz ao ouvido. Oxalá, todas as criaturas humanas inalassem os perfumes celestiais e as almas comungassem o Cordeiro de Deus.
Minha sabedoria, além de ser pouca é parcial, logo, não posso esgotar os louvores ao Autor de todo o universo. Assim, volvo minha atenção às criaturas, inclusive a mim mesmo, para que elas buscam a fé e a santidade mui almejadas pelo Deus Trino. Ainda que nossa ciência em nada acresça à grandiosidade do Senhor, rezemos, louvemos, bendigamos e supliquemos a ele, para que ele nos cumule de fé, esperança e caridade; para que permaneçamos nele e ele em nós.
Um jardim de rosas brote nos corações deste humilde desterro, enquanto Maria Santíssima, medianeira de todas as graças, desfolhe em suas puras mãos a branca rosa que lhe cinge a fronte enviando-as aos seus queridos filhos.
A multidão de santos, juntamente com a Mãe, peça ao Senhor Onipotente toda sorte de bens espirituais aos homens que esperam e confiam na manifestação gloriosa do Senhor, quando, para sempre, amaremos plenamente a Plenitude de Amor.
A Primeira sexta-feita do mês é sempre consagrada ao Coração de Jesus. Doce presença, lugar de repouso e suave amor, que se transbordar em misericórdia para os seus devotos.
Muitos santos foram devotos do Coração de Jesus: Santa Margarida Maria Alacoque, São Cláudio de La Colombière, São Domingos Sávio, São João Eudes, e tantos outros que provaram das delícias do Amado Salvador. Entre os santos homens que devotamento se orfetavam ao Coração de Jesus cito também o grande missionário Beato José de Anchieta – O primeiro devoto do Coração de Jesus no Brasil nascente. A primeira Igreja no mundo consagrada ao Sagrado Coração, o foi por Anchieta, em 1585, no Espírito Santo. Anchieta era grande devoto do Coração de Jesus. Ele escreveu versos sobre o Coração de Jesus: "a lança que abriu-lhe o peito...". Ele estava já se antecipando nessa devoção. Ele a tinha, mas não a inculcava publicamente porque não estava ainda aprovada.
As doze Promessas do Sagrado Coração de Jesus feitas a Santa Margarida Maria
1ª Promessa: Eu lhes darei todas as graças necessárias ao seu estado de vida.
2ª Promessa: Eu farei reinar a paz em suas famílias.
3ª Promessa: Eu os consolarei em todas as suas aflições.
4ª Promessa: Serei seu refúgio seguro durante a vida e sobretudo na morte.
5ª Promessa: Derramarei muitíssimas bênçãos sobre todas as suas empresas.
6ª Promessa: Os pecadores encontrão em meu Coração a fonte e o mar infinito da misericórdia.
7ª Promessa: As almas tíbias se tornarão fervorosas.
8ª Promessa: As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a grande perfeição.
9ª Promessa: Abençoarei Eu mesmo as casas onde a imagem do meu Coração estiver exposta e venerada.
10ª Promessa: Darei aos sacerdotes o dom de abrandar os corações mais endurecidos.
11ª Promessa: As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos
no meu Coração e dele nunca serão apagados.
12ª A Grande Promessa: Prometo-te, pela excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final, que não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os seus sacramentos, e que o meu divino Coração lhes será seguro asilo nesta última hora.